terça-feira, 8 de outubro de 2013

I

'Feche os olhos. Siga-me.'
Senti uma brisa em meu rosto, ouvi o ruído dos carros.
Eu havia dito a ele que nunca tinha visto a praia de perto; ele fez questão de me levar à uma.
Ele foi me guiando, segurando em minha mão, e o vento levava até mim seu perfume. Aos poucos fui sentindo em meu chinelo os grãos de areia, até que ele parou.
'Espere. Sem pressa.' Ele tirou o chinelo dos meus pés. 'Você ficou o tempo todo de olhos fechados, certo?' Respondi com a cabeça que 'sim'. 'Então, pode abrir.'
Abri os olhos, e lá estava ela, a praia. A tão esperada praia.
'É linda' eu disse. Ele fez um gesto oferecendo o até então desconhecido chão de areia.
Pisei cuidadosamente, como se pisasse em ovos e me senti tão pequena como um daqueles grãos, em meio a todo aquele lugar, aquela Lua, aquele alguém.

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